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August 20

Começou o horário eleitoral "gratuito" na TV

Ontem (19/08/2008) foram os nobres postulantes ao cargo de vereador. Hoje, os(as) candidatos(as). E que venha outubro... Não sei se tenho dó ou inveja das cidades que não possuem repetidoras de TV e têm que se contentar em ver campanhas de outros municípios. O certo é que o nível da maioria dos candidatos não me impressionou em nada. Em grande parte, o mesmo show de horrores e bizarrices de sempre.
August 15

Eles voltaram

Felizmente Clodoaldo Carlos Batista e Amair Feijoli da Cunha, o Tato, condenados pelo assassinato da religiosa Dorothy Stang, voltaram para a cadeia no Pará (mais detalhes no post anterior), segundo informações do G1 e TV Liberal. Menos mal.
August 14

Não pode passar de hoje

Deixando um pouco de lado os Jogos Olímpicos de lado, afinal o mundo gira e a Lusitana roda, hoje (14/08/2008) será um dia importante para conferir se as instituições brasileiras merecem algum crédito. Isso porque termina nesta quinta-feira o período de indulto concedido aos responsáveis pela morte de Dorothy Mae Stang em 12/02/2005 no interior do Pará.

Stang era uma religiosa norte-americana com cidadania brasileira cuja morte causou comoção que honestamente só vejo paralelo com o assassinato do sindicalista e ativista ambiental Chico Mendes, ainda na década de 1980. Saiba mais sobre a importância simbólica desta mulher que foi eliminada a tiros à queima roupa aqui e aqui.

Em tese, os indultados devem cumprir mais de 15 anos de prisão. Na realidade, já estão no sistema de liberdade condicional desde o início de 2008. Ganharam o direito de passar um período fora da prisão devido ao indulto concedido por causa do Dia dos Pais, celebrado no último domingo (10/08/2008), porque já completaram um sexto da pena e, diz a Justiça, têm um bom comportamento.

Questões de política fundiária na região amazônica e a participação de ordens religiosas nesse caldo à parte, compreendo que a lei permite o indulto... Mas, pela dimensão do crime cometido, simplesmente não soa justo. Se eles não retornarem para o xilindró até o fim do dia, não sei dizer que sensação além de vergonha cada brasileiro deveria estampar no rosto a partir de amanhã.
August 11

E saíram as primeiras medalhas

É bronze... É o judô... É do Brasil... Humpf! E pensar que eu invejava meus amigos que faziam judô quando eu estava em pleno primário na gloriosa E.E.P.S.G. Fernão Dias Paes (era assim que se chamava meu colégio na época, com essa sigla que significava "escola estadual de primeiro e segundo graus"). Um colega de sala, Rogério, já quebrava telhas com os pés naqueles tempos em que todos tínhamos menos de 10 anos.

Num dia, estávamos reunidos cerca de uns três moleques mais o Rogério em nossa sala de aula durante o intervalo de aulas enquanto ele nos contava como eram as aulas de judô. Ele disse que iria me ensinar um dos golpes que estava aprendendo e pediu licença para aplicá-lo, fazendo a ressalva de que iria ser algo não muito forte. De repente, fiquei sem ar. Era um golpe com a mão espalmada bem na base de meu estômago. "Tudo é uma questão de jeito e não de força", diriam os entendidos...

Quase sem sentidos, eu olhava para o teto e cada segundo parecia durar horas. Eu não conseguia falar nada, apenas balbuciava palavras que não faziam sentido. Rogério, visivelmente preocupado, pedia para que eu respirasse devagar, para que o ar voltasse seu fluxo normal. Quem diz que eu conseguia? Meus colegas olhavam para mim com uma curiosidade mórbida, como se eu fosse um objeto a ser estudado.

Na verdade, eu era... Exatamente algo que não se deve fazer... Os minutos do recreio demoraram a passar. Voltei ao normal, o golpe de fato não doeu, mas a surpresa e a profundidade com que ele me atingiu ficaram na memória anos e anos depois... Que assim seja com as medalhas de Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro conquistadas nesta segunda-feira (11/08/2008), servindo de inspiração para novas gerações de judocas.

August 08

Começou!

É de fato uma coincidência grande nos números! Questões políticas e econômicas à parte, se é que isto é possível, que venham os jogos! Algumas das imagens que se perpetuam em nossa memória já começaram a surgir com a cerimônia de abertura. Na foto que ilustra este post, um pouco da abertura na TV, direto do meu trabalho.
August 06

Um marco no céu

Ontem (05/08/2008) choveu tanto na cidade (até árvores caíram) que depois de a água ter lavado o nosso ar o sol apareceu e fomos brindados com um belo arco-íris. Com a chuva do fim de semana, estou satisfeito, após tantas semanas de tempo seco -- o julho mais seco desde a década de 1940 --, tão característico do inverno. O que agosto irá nos reservar além destes primeiros dias?
August 01

Na fila

Testando o velho Siemens MC 60 para postar no blog. Funciona, quem diria... Mas é ruim para digitar (quando comecei estava na fila do banco e agora ja' estou na rua voltando para o trabalho).

Um debate morno

A mediação de Boris Casoy para o primeiro debate na TV dos candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo não trouxe lá muito brilho na noite de hoje na Bandeirantes. Os candidatos pareciam não querer ousar, valendo-se do discurso que têm usado nas últimas semanas na imprensa. Não percebi muitas frases de efeito, o jeito é esperar pelo próximo, no fim do mês (28/08/2008). Passa da 0h30, hora de dormir...
July 31

Um horror às vésperas do século 21

Não faz tanto tempo assim. Ouvia notícias sobre a guerra da Bósnia no início dos anos 90 com um misto de desapontamento e apreensão. Eu estava desapontado, evidentemente, por conta da perda de muitas vidas num conflito sangrento e, aos meus olhos de adolescente, inútil. E também apreensivo porque eu imaginava que na pior das hipóteses o conflito poderia se espalhar para além das fronteiras daquilo que um dia foi a Iugoslávia.

Hoje (31/07/2008), o ex-líder dos sérvios-bósnios, Radovan Karadzic, apresentou-se ao tribunal da Organização das Nações Unidas para começar a responder às pesadas acusações de crimes contra a humanidade. O homem terá 30 dias para preparar sua defesa. Eu, que ouvia pelas rádios de ondas curtas (especialmente Nederland e França Internacional) uma amostra do horror da guerra, sinto um alívio vê-lo fora de circulação.

Uma das coisas mais escabrosas é o ataque às mulheres e crianças, o requinte de crueldade da dita limpeza étnica. E isso não foi privilégio dos habitantes da antiga Iugoslávia. Em qualquer guerra que se preze, seja na Bósnia, no Iraque ou mesmo nas nossas favelas, não precisamos ir muito longe, humilhar antes de eliminar o lado mais fraco continua produzindo resultados eficientes.

"Por que esse amontoado de frases feitas neste post meio sem pé nem cabeça",você perguntaria ao ler este texto. Simplesmente porque não dá para ficar indiferente diante desse artigo no site da CNN que relembra os horrores de uma mulher que sobreviveu a uma sucessão de torturas. Honestamente imagino que resistir e ficar para contar a história pode não ser a melhor coisa do mundo.
July 29

A lei não é tudo, mas...

... Ajuda. Tudo bem que o Código Brasileiro de Trânsito já previa uma série de resoluções, mas depois de um mês da entrada em vigor da Lei 11.705 -- mais conhecida pelo apelido de lei seca por endurecer com o motorista flagrado após ter bebido umas e outras -- ao menos uma coisa mudou. Está morrendo menos gente. Ok, há o argumento de que o cidadão não vai usar o bafômetro com o pretexto de não produzir provas contra si mesmo, assegurado pela Constituição. Mas, pombas, se as pessoas estão voltando vivas acho que esse é o maior destaque.

Concordo com todos que apregoam que sem fiscalização qualquer lei está fadada ao fracasso. E também admito que se o Código de Trânsito Brasileiro tivesse todos os seus dispositivos intensamente fiscalizados seja pela União, estados ou municípios a carnificina que é o nosso trânsito hoje nas cidades e estradas poderia ser diferente. Que se aproveite como pretexto a nova lei para que se passe a fazer o trabalho de fiscalização por tantos anos deixado de lado em todos esses níveis de autoridade.

Argumentos como os que ouvi de pessoas com quem papeei nas últimas semanas segundo os quais "a noite de São Paulo não é mais a mesma" não me convencem. Para mim têm mais peso as palavras da chefe do pronto-socorro do Hospital do Mandaqui, na zona norte da cidade de São Paulo: "Agora conseguimos ver os pacientes com mais calma, atender melhor aos familiares. Antes, recebíamos quatro, cinco, seis traumas de uma vez. Não dava para falar com ninguém direito. A mudança nos deu uma aliviada. A qualidade do serviço é outra", reconheceu em entrevista publicada pela Folha de S. Paulo no último sábado (26/07/2008).

O resto, que me perdoem, mas é conversa para boi dormir. Meu maior receio é o assunto sair dos holofotes dentro de mais alguns meses e tudo voltar a ser como antes por conta da precariedade da fiscalização. Ou seja, mais uma situação para comprovar a crença de que o Brasil é um país onde muitas leis simplesmente não "pegam". Com um assunto tão importante como esse seria temerário entrar nesse caminho sem volta. Em tempo: importante mencionar que não sou um bebedor contumaz. Mas um vinhozinho de vez em nunca e uma doce malzbier me atraem. Se minha fraca inclinação etílica for influenciar no peso que você for dar ao meu discurso, pense nas mortes a menos. É apelativo, sei disso, mas não vejo argumento mais forte.
July 18

Não deu, de novo!

Vamos esperar mais 4 anos por uma participação do basquete masculino em Jogos Olímpicos. É uma pena, pois não aparecemos em competições deste porte de 1996! Mesmo com a presença de alguns atletas brasileiros na NBA, a milionária liga profissional dos EUA, imagino como estará a modalidade em 2012 aqui no País. Com toda a certeza não será um futuro róseo... Ao menos a modalidade feminina fará parte do torneio, um mal a menos.

July 17

Um ano depois

Hoje o acidente com o vôo da TAM JJ3054, que vitimou tantas vidas perto da cabeceira da pista do aeroporto de Congonhas, completa 1 ano. Recebi dias atrás de minha ex-colega de bancada Simone um e-mail que contava as atividades programadas para não deixar a data passar em branco (imagem que ilustra este post). A exemplo de tanta gente, ela perdeu um ente querido na tragédia.

Eu acho importante eventos como este, não para necessariamente homenagear os que morreram. Convicções religiosas à parte, imagino que é fundamental que o tema não seja esquecido para que se tomem providências e se minimize no futuro a possibilidade de novas mortes sem razão.

O ato cívico e religioso está marcado para as 18h30 no local onde o avião caiu, ao lado do aeroporto localizado na zona sul da cidade de São Paulo. Também estão programadas atividades no sábado (19/07/2008) na praça e catedral da Sé, a partir das 11h, inclusive com missa conduzida pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer.

No dia seguinte, a partir das 10h manhã de domingo, o encontro será na Sala São Paulo, também na região central da cidade, onde está marcado para as 11h o Momento Cultural pela Valorização da Vida, com orquestra e coral apresentando clássicos como Bocelli, Puccini e Handel. No mesmo local, outra manifestação: a mostra da Caminhada pela Vida, Verdade e Justiça.

Oportunidades que reunirão além das famílias enlutadas a chance de chamar a atenção para valores como ética, responsabilidade, fé e justiça, coisas que parecem que andam em falta neste País. Sobre o acidente em si, a apuração continua. O promotor de Justiça Criminal que acompanha o caso, Mário Luiz Sarrubbo, foi categórico na edição de ontem do Jornal da CBN, dizendo que há "fortes indícios de imprudência e negligência de diversas partes".

Em entrevista a Heródoto Barbeiro, ele comentou sobre a apuração que soma milhares de páginas e ouviu umas 300 pessoas. A conclusão pessoal dele: "houve equívoco no manuseio das manoplas por parte da tripulação, equívoco agravado pelas condições da pista e pela fabricante da aeronoave, que com um procedimento novo na prática rebaixa o nível de segurança da aeronove, da companhia aérea, que havia baixado norma para utilizar freios aerodinâmicos naquela pista, enfim, uma série de fatores que contribuíram para aquela tragédia".

Sarrubbo acrescentou outra visão sobre o caso: "Eu, particularmente, entendo que Congonhas deveria ser repensado, a movimentação deveria ser diminuída. Algumas modificações, quero crer, serão necessárias. Tenho convicção de que o aeroporto não é totalmente seguro, segundo o que os técnicos me informam". Disse ainda que mora na região do aeroporto e prefere embarcar em Cumbica. Para ele, Congonhas "é um aeroporto que não permite erros. E o ser humano erra".
July 11

Um mês que passou rápido

Já estamos quase na metade de julho. Realmente o mês de junho passou como um raio, ao menos para mim. Na idéia de refletir um pouco sobre as semanas passadas acabei deixando passar em branco uma série de coisas atropeladas por fatos como uma nova morte trágica no Rio de Janeiro ou a prisão de gente graúda como Daniel Dantas e Naji Nahas pela Polícia Federal em São Paulo. Sem contar um relato um pouco mais pormenorizado sobre minhas férias, claro...

Digo isso porque não me animo a fazer conjecturas sobre para onde vai nossa economia, mesmo com a reportagem em tom favorável divulgada nessa semana pelo Financial Times. Para não dizer que deixei tudo passar em branco, segue uma coluna do jornal O Tempo que reproduzo abaixo que faz um panorama do que vivíamos alguns dias atrás. Fico imaginando que se o texto fosse uma piada não seria tão trágico. Mas a verdade é que o diálogo entre os ditos políticos bem que representa a realidade... Infelizmente!



Sexta-feira, 20 de junho de 2008
O Tempo
Política
Tudo certo
É conversando que os brasileiros sempre se entendem

-- Espere um pouquinho aí que eu tenho uma semana de festa para enfrentar. É desgastante, chato, mas eu preciso ficar mais perto das minhas bases. É a obrigação de todo político. Não vai dar para ficar em Brasília só discutindo projetos. Tenho mais o que fazer.

-- Aliás, você também me desculpe a saída rápida de Brasília na quarta-feira. É que tinha um jogo da seleção brasileira em Belo Horizonte, lá no Mineirão. E você sabe, tem que sair mais cedo mesmo. Vôo atrasa, o trânsito fica impossível. Não dá para deixar para última hora. E quem pode perder Brasil e Argentina, na casa do governador Aécio Neves?

-- Não se preocupe, a saúde não será prejudicada com a falta de investimentos e tampouco a população vai ter que pagar mais impostos. Tudo vai continuar como está. Ninguém aqui está fazendo muito esforço para mudar nada. Até porque, se melhorar, piora.

-- Concordo. Está tudo tão bem, não é? O Brasil é um país abençoado por Deus. Às vezes a gente fica mais preocupado com este problema da violência. E este negócio de Exército no morro e nas favelas? Matança? Isso preocupa mesmo. Mas está tudo sob controle. Vamos vencer a guerra contra o tráfico de drogas. Essa história de Programa de Aceleração do Crescimento vai gerar muitos empregos e a violência vai diminuir, com certeza. Já está diminuindo.

-- Olha aqui, o brasileiro nunca comeu tanto. Você viu como os preços nos supermercados aumentaram? É por isso, o pessoal está consumido demais da conta. É bom, é bom, mas tem que ter controle. Não podemos deixar o dragão da inflação crescer e aparecer. Só para lembrar, tem eleição em outubro. Temos que trabalhar demais.

(Diálogo entre dois políticos fictícios)
July 04

Voltei e parti novamente

Desta vez meu destino foi mais longe. Vim parar no interior dos EUA. O tipo da viagem que parecia irreal há alguns anos. Mas, a exemplo de minha ida para a Bahia, foi uma viagem curta. Na segunda-feira (07/07/2008) estarei de volta ao trabalho. Do que andei consultando via internet, pude constatar que encontrarei mudanças pontuais, porém significativas do que deixei quando entrei em ferias.

Ficam na memória algumas imagens dessas terras de extremos contrastes. Aqui no chamado Middle Tennessee, por exemplo, alguns moradores temem não apenas o aumento da gasolina (já passou a barreira dos US$ 4,00 o galão -- medida equivalente a pouco mais de quatro litros), mas sim a invasão de privacidade do Google. O Google Maps agora apresenta imagens no nível da rua, como vocês podem conferir nesta reportagem de um jornal local.

E que venha o segundo semestre, com direito a olimpíadas e eleições...

June 13

Cheguei!

Depois de 28 horas de viagem de ônibus, cá estou no interior da Bahia! Até a volta!
June 05

Não basta a senha...

... Tem que ter as malditas letras. Um dos bancos com que trabalho decidiu inovar. Além da senha tradicional dos caixas eletrônicos e compras do cartão de débito (seis dígitos), há a senha do atendimento por telefone e uma terceira para o banco via internet. De uns tempos para cá, para retirar dinheiro no auto-atendimento ou um extrato que fosse, eles nos forçaram a decorar três letrinhas. Coisa básica.

Mas eles não se deram por satisfeitos. Das três letras, um dos grupos agora possui duas. Ou seja, se era "A", "B", "C" (evidentemente, tinha de ser na ordem), passou a ser "C", "D", "Ef"... É de lascar! Para quem mal tinha decorado a primeira cobinação, agora ficou inviável. O banco que me desculpe, mas não terei outro remédio a não ser levar estas malditas letras na carteira.

Essa "evolução" exdrúxula me faz lembrar que minha tia que mora lá no interior da Bahia tinha um método simples para criar as senhas bancárias. Os números escolhidos eram todos em seqüência, outra "facilidade" que foi sumariamente proibida pelas instituições bancárias. O jeito é recorrer àquele velho mote: "para que facilitar, se a gente pode complicar". E você, sabe quantas senhas utiliza no seu dia-a-dia? Já parou para contá-las? Não tenho dúvida de que irá se surpreender!
May 31

Agora sim!

Férias... Acho que não preciso falar muito sobre meu estado de espírito.
May 27

Leda, uma cidadã consciente

Na semana passada, soube pela CBN que a empresária Leda Shimabukuro estava envolvida em um projeto muito interessante, o Ashiato ("pegadas" em japonês). Diante de um time de mais de 100 voluntários, ela colaborou para a transcrição para caracteres ocidentais dos cartões de embarque dos japoneses que emigraram para o Brasil a partir de 1908.

O resultado dessa trabalheira homérica pode ser visto no espaço cultural do banco Real ABN, na avenida Paulista 1.374 na exposição O Japão em cada um de nós, que tem entrada franca. Foram nada menos que 228 mil cartões traduzidos, gente que veio entre 1908 e 1941 (ano em que, com a Segunda Guerra, o Japão deixou de ser "nação amiga" do Brasil) e entre 1952 e 1973, na leva final de imigração por via marítima.

A mostra vai até 18/07/2008 e trará outras atrações. A arregimentação dos voluntários envolveu muita gente, em especial esta mulher de fala mansa e gestos delicados que tive o privilégio de conhecer anos atrás, quando ainda trabalhava para a imprensa da comunidade nipo-brasileira. Naqueles anos, o senso de civilidade e consciência social de Leda já havia aflorado.

Junto de familiares e amigos, ela tornou realidade uma idéia baseada em simplicidade que trouxe resultados positivos para muita gente, o Grupo Nikkei de Promoção Humana. Trata-se de uma entidade que tentava recolocar os brasileiros que foram trabalhar no Japão após seu retorno ao País, com técnicas para se sair bem numa entrevista e uma verdadeira "ação entre amigos" que indicava onde havia oportunidades diversas.

Lembro-me de diversas ocasiões em que procurei o grupo de Leda e invariavelmente ela e seus colaboradores mais próximos chegavam a dedicar até mais tempo ao grupo que às atividades profissionais. No caso do projeto atual, mesmo com o tempo exíguo de uma entrevista de rádio, ela ressaltou a importância do trabalho dos voluntários -- foram 123, grande parte acima de 75 anos, que ainda dominam os ideogramas japoneses.

Mesmo com a exposição e a proximidade do centenário da imigração, a ser comemorado no próximo dia 18/06, o trabalho ainda não está concluído, pois ainda faltam ser vertidos para caracteres ocidentais 13 mil cartões de embarque. Não tenho dúvidas de que a perseverança de Leda fará com que mais essa etapa seja vencida em breve.

A exposição tem curadoria dos historiadores Célia Oi (outra personagem que rende muitos posts) e Paulo Garcez. O trabalho capitaneado por Leda foi desenvolvido pela Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil em parceira com a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo, por meio do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil).
May 20

Já começou!

Nos jornais de hoje, destaque para o bate-boca entre dois pré-candidatos à prefeitura paulistana (imagem que ilustra este post, recorte do Jornal da Tarde). Do Rio de Janeiro, o prefeito César Maia em seu "ex-blog" afirma que a cobertura da mídia das eleições municipais será devagar em função dos Jogos Olímpicos, entre outros eventos. A verdade é que nossos políticos começam a se mostrar mais agressivos. Parece que o clima de campanha, efetivamente, está se instalando. Espero, apenas, que a conjuntura vá além do diz-que-me-diz e traga propostas reais para a cidade, deixando de lado projetos fantasiosos.

Na tarde de hoje, em evento em Heliópolis, bairro da zona sul de São Paulo onde está a maior favela da cidade, parece que o circo também foi armado. Estiveram por lá autoridades das mais diversas correntes como o presidente Lula, apresentando investimentos na região, os ministros Márcio Fortes (Cidades), Dilma Roussef (Casa Civil), Marta Suplicy (Turismo), o governado paulista José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, só para citar os nomes principais, além, é claro, de um monte de gente prestando atenção no discurso, especialmente o não-verbal, de todo esse povo.
May 14

A cegueira está chegando

O novo filme de Fernando Meirelles abre o Festival de Cannes nesta semana. A obra, Blindness, é baseada no livro do português José Saramago Ensaio sobre a cegueira. No mês passado eu enviei um e-mail geral a meus amigos dizendo que o diretor brasileiro mantinha um blog sobre os batidores da produção, com trechos filmados em São Paulo em 2007 com atores como Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh e Alice Braga.

Poucas semanas depois, foi liberado o primeiro trailer. O fato de abrir um festival importante e a presença de um outro filme dirigido por brasileiros interessante na disputa, Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, só aguça a minha curiosidade. Grandes produções que costumam lotar os cinemas nessa época quase de férias à parte, quero muito ver esses dois no segundo semestre... No caso de Blindness, será uma ótima desculpa para ler o livro, coisa que tenho adiado sistematicamente.